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A "mágica" da aritmética

Conhecimentos rudimentares de aritmética nos ajudam a fazer uma interpretação correta dos fenômenos econômicos. De posse dos conceitos básicos e de informações sobre o desempenho da economia, devemos estar alerta para evitar conclusões erradas. Algumas vezes lemos ou ouvimos notícias viciadas que tem o intuito de “formatar” opinião. Algumas vezes de forma proposital, porque ideológica; outras, devido a desconhecimento mesmo.

Há algum tempo atrás, quando foi amplamente noticiado que a massa salarial no Brasil havia experimentado um crescimento significativo, o deputado Rodrigo Maia (DEM/RJ), hoje presidente do Democratas, adiantou-se a criticar dizendo que isto aconteceu, porém houve redução da média de salários. Ledo engano do deputado. Salário médio, como o nome indica, representa uma média, ou seja, resultado de uma fração ordinária, o que, como tal, é afetado pelos valores extremos. Se a média caiu é porque trabalhadores com menores salários passaram a fazer parte da força de trabalho.

Os telejornais sempre noticiam e entrevistam empresários, de modo a enfatizar que a carga tributária no Brasil é muito alta, no que tem razão. Não podemos esquecer que a carga tributária também é uma média, que é obtida quando se divide o total arrecadado pelo Estado pelo volume de produção da economia (o PIB, em termos monetários). Novamente uma fração, cujo numerador é o volume de impostos e o denominador é o PIB, digamos a preços de mercado, ou seja, já incluindo com o volume de tributos. Significa dizer que se a máquina arrecadatória for eficiente e arrecadar mais, coibindo a sonegação, inclusive, altera o valor do numerador e, por conseguinte o seu resultado final, mesmo que não haja aumento de impostos.

De igual forma é o famoso saldo da balança comercial. Neste caso não é uma fração e sim uma conta de simples subtração. Em outras palavras é a diferença entre o valor das exportações e o valor das importações. Neste caso poderemos ter um grande saldo comercial devido a dois motivos: pelo aumento das exportações ou pela redução das importações. De nada vale um grande saldo da balança comercial se ele foi obtido graças a uma redução das importações. Se isso acontecer, algum setor da economia ficou prejudicado, seja na aquisição de insumos ou mesmo pela restrição na compra de maquinário no exterior.

Não existe mágica. É importante salientar que em qualquer desses casos o viés ideológico está sempre presente. A indução ao erro tem coloração partidária.



Newton Braga,
Professor de economia do Instituto de Educação Superior de Brasília (IESB)

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