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A insensatez de algumas análises econômicas

É temeroso para qualquer economista arriscar um prognóstico sobre os efeitos da atual crise originada do setor imobiliário dos Estados Unidos. É verdade que a crise ainda está aí, com os seus efeitos totais desconhecidos, com perdas virtuais dos bancos e aplicadores, trazendo consigo um ambiente de incertezas.

Nada pior para a economia do que a incerteza, porque dela deriva o baixo investimento, as baixas aplicações em ativos produtivos e, com isso, há uma tendência à estagnação.

Alguém me perguntava sobre os efeitos para o brasileiro, para o operário. Ainda assim, temos que fazer uma estratificação: para os aplicadores na Bolsa, houve uma perda imediata, porque seus papéis sofreram uma baixa; para quem atua na área de exportação, o possível efeito negativo ou o baixo nível de crescimento do PIB americano pode redundar em vendas menores para aquele país. Sem alarde, porque do volume total das exportações brasileiras os EUA compram o equivalente a 18%. Já foi bem pior no governo passado, quando dependíamos de 25% das comprar americanas; como a economia americana afeta outras economias, estas ficarão mais pobres e comprarão em menor volume as nossas mercadorias; para o brasileiro comum, há o efeito sobre a taxa de juros. Possivelmente, o COPOM, na sua próxima reunião, não diminuirá 0,5% na taxa SELIC, significando dizer não será sensível a queda na taxa de juros.

Para a economia como um todo, já passou por um teste: houve uma pequena alta na cotação do dólar (não era desejável?) pela necessidade dos aplicadores honrar compromissos utilizando os dólares aqui aplicados.

Com tudo isso, o mercado está sinalizando um aumento do PIB de 4,62% em 2007.

Estamos salvos? Ainda não. Os comentaristas da Rede globo costumam construir cenários mais tenebrosos possíveis. Ainda ontem, um noticiário da CBN informava que o Palácio do Planalto estava preocupado com a crise. Tanto seria verdade que já estavam sendo tomadas medidas anti-crise, quais sejam promover o equilíbrio das constas públicas, limitar os reajustes dos servidores, etc, etc. coisas que são feitas independente da qualquer crise. Mas não é somente dessa forma que eles enganam os leitores/ouvintes: o Carlos Sardenbrg falava no dia 20/07 a respeito da prorrogação da CPMF que o Partido dos trabalhadores sempre foi contra a CPMF no governo passado e agora defende freneticamente essa contribuição. Ele deveria informar que aqueles que hoje são contra eram os que defendiam no passado. Seria esta omissão proposital? Sensato seria informar as duas facetas do mesmo assunto.


Newton Braga,
Professor de economia do Instituto de Educação Superior de Brasília (IESB)

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