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Lupi, o gauche

Carlos Lupi é uma figura interessante. Entrou na política quando conheceu Leonel Brizola por meio da sua profissão na época: jornaleiro. Depois disso virou pupilo do caudilho. Foi secretário municipal no governo de Marcello Alencar frente à prefeitura do Rio de Janeiro e secretário estadual no governo Garotinho.

Foi também protagonista de um desses absurdos que só vemos na política brasileira. Quando Roberto Saturnino Braga foi eleito senador da República em 1998, Lupi era seu primeiro suplente e ouvira a promessa de que os dois dividiriam o mandato. Saturnino acabou cumprindo o mandato até o último dia. Quando ele mesmo foi candidato a uma cadeira na Câmara alta, em 2002, ficou em 10º lugar.

Virou figura nacional com a morte do seu mentor, em 2004 sucedendo-o na presidência do PDT, cargo que ocupa até hoje. Tudo muito certo, tudo muito bem. Até o dia em que seu partido o indicou para virar ministro do Trabalho e o presidente Lula, sempre obediente aos apelos fisiológicos dos partidos, o nomeou. De lá pra cá a Comissão de Ética Pública o advertiu várias vezes que ser ministro de Estado e presidente de partido ao mesmo tempo é incompatível. Ele sempre fez ouvido de mercador.

Agora a comissão decidiu enviar mensagem a sua excelência o presidente da República, a quem, segundo o artigo 84º da Constituição, compete privativamente o poder de nomear e exonerar ministros. Na mensagem a comissão deverá recomendar a demissão do ministro.

O que fará Lula? Vai se indispor com um partido da sua base aliada? Um partido cujos senadores, sem exceção, votaram a favor da prorrogação da CPMF?

O problema de Lupi não é legal. Não há uma linha na constituição ou em qualquer lei que declare incompatíveis os cargos que Lupi ocupa. O problema é meramente ético, segundo a própria comissão de ética pública.

Sem entrar no mérito de se é ético ou não alguém acumular estas funções e tomando a conclusão da comissão como correta vários outros ministros deveriam estar encrencados também. O ministro das Cidades Márcio Forte é 8º vice-presidente do Partido Progressista, o ministro da Cultura Gilberto Gil é conselheiro do Partido Verde, os ministros Luiz Dulci, Marta Suplicy e Paulo Bernardo são membros do diretório nacional do Partido dos Trabalhadores. Ora, se não pode ser presidente nacional também não deveria poder nenhum outro cargo partidário.

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